Se você acabou de ter um bebê, é possível estar se sentindo como alguém no centro de um furacão. A menos que você tenha um ajudante em tempo integral ou um membro da família que é capaz de auxiliar sem julgar o seu comportamento, essa situação também pode se aplicar a sua casa. Tudo está uma bagunça, acabou a comida e você usou a última fralda.

Se este for o caso, relaxe. As coisas vão melhorar. A coisa mais importante que você deve fazer é descansar. Se a ideia de receber visitas assusta, então diga não. A família e os amigos podem estar desesperados para conhecer o recém-chegado, mas eles podem esperar. Com certeza, não ache que você precisa se arrumar para receber as visitas. Se alguém oferecer ajuda, ou trouxer comida, aceite. Você pode querer ser a Mulher-Maravilha e fazer tudo por conta própria, mas você já concluiu a tarefa extraordinária de trazer ao mundo uma nova vida, então se apoie nisso por um tempo.

Todos sabem que é comum sentir melancolia pós-parto por algumas semanas, mas a realidade pode ser diferente. Acho que o termo “melancolia pós-parto” deveria ser excluído de uma vez por todas, uma vez que ele menospreza o turbilhão de emoções que uma nova mãe enfrenta, sejam elas boas ou más. Um dia você se sente capaz de subir uma montanha, enquanto em outro você não quer fazer nada além de ficar deitada no vale. Ambos os estados são completamente normais e são o resultado da existência de vários hormônios pelo seu corpo.

Um diário de uma mãe de primeira viagem declarava: “Minha mala da maternidade ficou fechada por cinco dias. Já era de tarde e eu ainda não tinha escovado meus dentes. Eu ia da animação ao desespero. Por que acordava aterrorizada, porque ‘o bebê estava perdido dentro da cama’, quando ele estava em segurança no quarto ao lado? Para quem eu poderia contar isso sem que me considerassem louca?”

Essa mãe de primeira viagem era eu. Lembro-me da sensação de ser abandonada em um grande túnel logo após o nascimento, isolada da realidade pela anestesia peridural. Eu queria me limpar, comer e dormir. A enfermeira disse “vamos levar a mamãe à enfermaria” e eu pensei, “minha mãe não está aqui, está?” Não conseguia me dar conta de que eu era a “mãe”.

Poucas semanas após dar à luz, a mãe pode ser questionada sobre seu estado emocional, mais especificamente se ela sente que corre o risco de machucar a si mesma ou ao bebê. Quem pensaria em responder “sim” para esta questão e ser tachada de mãe incapaz?

Conheci muitas mães confessando, aos prantos, seus temores de que poderiam soltar o bebê escada a baixo ou pela janela, mas não eram capazes de admitir isso. Como é possível pensar nisso, quando tantas outras, incluindo sua própria mãe, conseguiram, e ainda há o estigma em torno de questões de saúde mental? A Association for Post Natal Illness estima que “pelo menos 10% das mães que recentemente deram à luz desenvolveram depressão pós-parto.”(2)

Esta é apenas uma média de casos que foram relatados. A blogueira Katherine Stone compilou sua própria lista de classificações de depressão pós-parto em resposta a uma publicação que sugeria que tal mal não existia em países não industrializados.(3) Uma pesquisa mostrou que a depressão pós-parto era tão alta quanto 20% em alguns países, como no sul do Brasil

Na verdade, eu tenho uma abordagem diferente sobre a situação. Durante meu trabalho, conversei com centenas de mães diferentes, de várias culturas e com experiências diferentes. Todas elas diziam que, no começo, não conseguiam encontrar um escape adequado para os sentimentos. Às vezes, elas queriam esbravejar, mas muitas vezes queriam comemorar e compartilhar o quanto amavam ser mães. Elas não se descreveram como deprimidas naquele momento.

Acho que a maioria das mães de primeira viagem sofre da “síndrome da nova maternidade”. A lista de sintomas e sentimentos que isso pode abranger é infinita, mas pode incluir:

Entusiasmo vertiginoso, desespero, tédio, alegria, medo e choro. Culpa, baixa autoestima. Orgulho e deleite esmagadores.

Vontade de sair para se divertir.

Vontade de ficar debaixo do edredom para sempre.

Desejo de não ser mãe.

O que NÃO é normal é ser capaz e serena sempre. A terminologia e a atitude para com este período de maternidade estão erradas. A saúde mental de uma mãe após o parto é tão importante quanto sua saúde física no período anterior a ele. Se acredita que corre o risco de prejudicar a si mesma ou seu bebê, deve procurar ajuda. Se, no entanto, você sente uma mistura das emoções acima, trata-se da síndrome da nova maternidade. Coma, descanse, fique com o seu bebê sem criar expectativas. E separe algum tempo para cuidar de si mesma. O resto acontecerá naturalmente.

 

Referências

  1. Participante, Mothers Uncovered
  2. www.apni.org
  3. http://www.postpartumprogress.com/